"E ela, então, chorou alto, convulsamente, sob muitos tormentos reunidos e confusos, e as pessoas se desfizeram diante dela, como estátuas de cinza, e a casa ficou vazia, sem mais braços, sem mais rostos, sem mais vozes certas. Sozinha ela existia entre as coisas imóveis, que talvez lhe falassem, se pudessem, e a abraçassem, se não estivessem presas na sua forma. Sozinha ela existia - com as cadeiras, os espelhos, as paredes, as nuvens, o sol…
Era assim."

Cecília Meireles.     (via excrucias)

(Source: companhiadaspalavras, via ofhyl)

"E, o pobre de mim, minha tristeza me atrasava, consumido. Eu não tinha competência de querer viver, tão acabadiço, até o cumprimento de respirar me sacava. E, Diadorim, às vezes conheci que a saudade dele não me desse repouso; nem o nele imaginar."

Grande Serão: Vereda, João Guimarães Rosa

 Porque eu, em tanto viver de tempo, tinha negado em mim aquele amor, e a amizade desde agora estava amarga falseada; e o amor, e a pessoa dela, mesma, ela tinha me negado. Para que eu ia conseguir viver? 

"Mas ninguém não pode me impedir de rezar; pode algum?
O existir da alma é a reza… Quando estou rezando, estou fora de
sujidade, à parte de toda loucura. Ou o acordar da alma é que é?"

— Grande Sertão: Vereda

"De Maria Deodorina da Fé Bettancourt Marins – que nasceu para o dever de guerrear e nunca ter medo, e mais para muito amar, sem gozo de amor… Reze o senhor por essa minha alma. O senhor acha que a vida é tristonha?"

— Grande Sertão: Vereda, João Guimarães Rosa

larcavodica:

 

 

 

caminha agora pelo planeta

uma gente que é

e que é só amor arável

gentes de gentis chiados

no hálito da linguagem esticada

para dentro e para fora da terra

 

é da desesperança maior

saber e não

sentir na caixa  

algum farol desajuizado

iniciando-se a formigar

 

 

 

 

 

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Conto autoral meu, leia completo no meu outro tumblr! =) 

oquadrante:

Camilo estava em cima do pé de goiaba, enquanto Marcos, no chão, retirava os espinhos e carrapichos grudados em sua calça e na barra de sua camisa. Eu estava de pé apreciando novamente aquela paisagem, com minhas mãos na cintura com dedos apontado para as costas e polegar a frente. Eu me…

Licença quase Poética (Adélia Prado)

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
Vai carregar bandeira
- cargo muito pesado pra mulher,
essa espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, crio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

subsolo:

Adélia Prado

subsolo:

Adélia Prado

Mocamba Bonita

Mucama bonita, vinda da Bahia, pegai este menino e lavai na bacia

A bacia é de ouro, lavai com sabão. Pegai este menino e vesti seu roupão.

O roupão é de sêda,a touca é de filó pegai este menino e levai pra vovó.

Senhor, Senhor Jesus ouvi-me! Existo? Faz tempo que não sonho, existo? Responde-me, tem piedade de mim.